Conteúdo revisado pelo Dr. José Vetorazzo, urologista em São Paulo, especialista em cirurgia robótica e tratamentos minimamente invasivos para câncer de próstata, com fellowship em Uro-Oncologia pelo Hospital Clínic da Universidade de Barcelona.
O Gleason no câncer de próstata é o principal indicador da agressividade do tumor e determina as melhores opções de tratamento, desde vigilância ativa até cirurgia robótica.
Receber o resultado de uma biópsia positiva para câncer de próstata muda a vida de qualquer homem. Porém, o que muitos não sabem é que nem todo câncer de próstata é igual.
Entender o escore de Gleason é fundamental para tomar decisões conscientes sobre o tratamento.
A escala de Gleason avalia a aparência das células cancerígenas sob o microscópio. Quanto mais diferentes das células normais da próstata, mais agressivo é o tumor.
Além disso, o Gleason impacta diretamente o planejamento terapêutico. Ele determina se você precisa de tratamento imediato ou pode optar por vigilância ativa.
Neste artigo completo, você entenderá o que significa cada número do Gleason, como ele influencia seu prognóstico e por que esse conhecimento é essencial para sua jornada de tratamento.

O que é Gleason no câncer de próstata?
O Gleason no câncer de próstata é um sistema de pontuação que classifica células cancerígenas de acordo com seu grau de diferenciação.
Esse sistema foi desenvolvido pelo Dr. Donald Gleason na década de 1960 e continua sendo o padrão-ouro para avaliar a agressividade do câncer de próstata.
Como o Gleason é calculado?
Durante a análise da biópsia, o patologista examina as amostras de tecido prostático sob microscópio.
Ele identifica os dois padrões celulares mais predominantes e atribui uma pontuação de 1 a 5 para cada um:
- O primeiro número representa o padrão mais comum no tecido analisado.
- O segundo número corresponde ao segundo padrão mais frequente.
- A soma desses dois números resulta no escore final de Gleason, que varia de 6 a 10.
Na prática moderna, escores abaixo de 6 não são mais utilizados.
Por exemplo, um Gleason 7 (3+4) significa que o padrão 3 é predominante e o padrão 4 está presente em menor quantidade.
Já um Gleason 7 (4+3) indica que o padrão 4 é o mais comum, tornando o tumor mais agressivo que o 3+4.
Estudos do Johns Hopkins Hospital demonstraram que tumores com Gleason 4+3 apresentam taxas de recorrência 2,6 vezes maiores que tumores 3+4.
Gleason no câncer de próstata e grupos de risco
O escore de Gleason é um dos três pilares fundamentais para classificar o risco do câncer de próstata.
Junto com o PSA e o estadiamento clínico, ele determina a estratégia terapêutica mais adequada.
Baixo risco (Gleason 6)
Tumores com Gleason 6 (3+3) apresentam células bem diferenciadas que crescem muito lentamente.
Pesquisas do Johns Hopkins mostram que praticamente nenhum Gleason 6 puro desenvolve metástases quando confinado à próstata.
Por isso, muitos pacientes com Gleason 6 são candidatos à vigilância ativa.
Essa estratégia evita tratamento imediato e seus possíveis efeitos colaterais, sem comprometer a segurança oncológica.
Risco intermediário (Gleason 7)
O Gleason 7 representa a categoria intermediária e merece atenção especial.
O Gleason 7 (3+4) é classificado como risco intermediário favorável.
Ele apresenta comportamento menos agressivo e excelente resposta a tratamentos definitivos. Aproximadamente 2% desses tumores apresentam metástases no diagnóstico.
Por outro lado, o Gleason 7 (4+3) é considerado risco intermediário desfavorável.
Esse perfil tem maior probabilidade de extensão extraprostática e necessita de uma avaliação mais criteriosa.
Segundo dados publicados no European Urology, o Gleason 4+3 apresenta risco de recorrência 5,1 vezes maior que o Gleason 6.
Alto risco (Gleason 8, 9 e 10)
Tumores com Gleason 8, 9 ou 10 são considerados de alto grau e comportamento mais agressivo.
Estudos mostram que pacientes com Gleason 8-10 têm risco significativamente maior de progressão da doença, com diferenças importantes entre Gleason 8 (risco intermediário-alto) e Gleason 9-10 (alto risco), tornando essencial o tratamento definitivo precoce.
As opções incluem cirurgia robótica, radioterapia com hormonioterapia ou combinação de modalidades terapêuticas.

Gleason 6: é câncer agressivo?
Uma das dúvidas mais frequentes no consultório diz respeito ao Gleason 6. Porém, é importante entender que cânceres com essa graduação apresentam comportamento biológico muito favorável.
Geralmente, tumores com Gleason 6 (3+3) crescem extremamente devagar.
Pesquisas comprovaram que o Gleason 6 puro raramente apresenta extensão extraprostática ou metástases.
Por conta desse comportamento indolente, o Gleason 6 é o candidato ideal para a vigilância ativa.
Essa estratégia consiste em monitoramento rigoroso com PSA a cada 3-6 meses, toque retal anual e biópsias periódicas.
A vigilância ativa é apropriada quando o tumor apresenta características favoráveis como PSA abaixo de 10 ng/mL, poucas amostras positivas na biópsia e baixo volume tumoral.
O que é Gleason 7? Entenda a diferença entre 3+4 e 4+3
O Gleason 7 merece atenção especial porque representa um espectro intermediário de agressividade. Porém, a ordem dos números faz toda a diferença.
Gleason 7 (3+4)
O Gleason 7 (3+4) indica que o padrão 3 é predominante no tecido analisado.
Esse perfil é classificado como risco intermediário favorável e tem excelente prognóstico.
Dados da International Society of Urological Pathology mostram que as taxas de sobrevida livre de recorrência aos 5 anos ultrapassam 88% com tratamento adequado.
Gleason 7 (4+3)
Por outro lado, o Gleason 7 (4+3) indica predominância do padrão 4. Isso confere comportamento mais agressivo ao tumor.
Pacientes com Gleason 4+3 apresentam maior risco de extensão extraprostática e recorrência bioquímica após tratamento.
A diferença entre 3+4 e 4+3 influencia diretamente a estratégia cirúrgica.
A cirurgia robótica oferece vantagens significativas em ambos os casos, proporcionando visualização ampliada, precisão milimétrica e melhor preservação de estruturas importantes.
Veja mais neste vídeo:
Gleason não age sozinho
Embora o escore de Gleason seja fundamental, ele não é o único fator a considerar. O prognóstico e as decisões terapêuticas dependem da análise conjunta de múltiplos elementos.
- PSA: esse exame ajuda a avaliar a extensão da doença. Valores elevados podem indicar maior volume tumoral ou doença mais agressiva.
- Estadiamento indica se o tumor está confinado à próstata ou se estendeu além dela.
- Ressonância multiparamétrica: esse exame avançado de imagem revolucionou o diagnóstico do câncer de próstata, porque identifica com precisão a localização, volume e extensão do tumor.
- Idade e estado de saúde do paciente influenciam significativamente as decisões terapêuticas.
Um homem de 55 anos saudável com Gleason 7 tem expectativa de vida de várias décadas e pode se beneficiar de tratamento definitivo.
Por que entender o Gleason evita erros?
Compreender o escore de Gleason empodera o paciente a tomar decisões mais conscientes.
O overtreatment ocorre quando pacientes com tumores de baixo risco recebem tratamentos agressivos desnecessários.
Entender que o Gleason 6 é indolente permite optar por vigilância ativa com segurança.
Por outro lado, o subtratamento acontece quando tumores agressivos não recebem terapia adequada.
Reconhecer a agressividade do Gleason alto evita progressão que poderia ter sido prevenida.
Decisões baseadas em conhecimento sólido resultam em melhor qualidade de vida a longo prazo.
Quando buscar uma segunda opinião?
Receber diagnóstico do câncer de próstata é sempre um momento impactante. Buscar uma segunda opinião com especialista experiente é fundamental.
Se você recebeu resultado de biópsia e não compreendeu completamente o significado do Gleason, procure esclarecimento.
Um urologista especializado pode explicar detalhadamente seu caso específico.
Alguns pacientes recebem indicação de cirurgia imediata sem discussão aprofundada sobre outras opções.
Dependendo do Gleason e de outros fatores, pode haver alternativas como vigilância ativa, terapias focais ou radioterapia.
Conclusão: conhecimento sobre o Gleason transforma decisões
Entender o Gleason no câncer de próstata é saber como seu tumor se comporta, quais riscos você enfrenta e quais caminhos terapêuticos fazem sentido.
Esse conhecimento empodera você a participar ativamente das decisões sobre seu tratamento. Além disso, compreender o Gleason reduz a ansiedade desnecessária.
Pacientes que sabem que têm Gleason 6 podem relaxar sabendo que seu tumor é indolente. Por outro lado, aqueles com Gleason 8 ou 9 entendem a urgência de agir.
Se você recebeu diagnóstico de câncer de próstata e ainda tem dúvidas sobre seu Gleason, não hesite em buscar esclarecimentos.
Agende uma consulta e tenha todas as suas dúvidas esclarecidas por um profissional que compreende profundamente a complexidade do diagnóstico do câncer de próstata.
Sobre o Dr. José Vetorazzo
Dr. José Vetorazzo é urologista especialista em câncer de próstata em São Paulo, com fellowship em Uro-Oncologia e Cirurgia Minimamente Invasiva no Hospital Clínic da Universidade de Barcelona, Espanha.
Certificado em Cirurgia Robótica pelo Intuitive Surgical (Da Vinci Surgical System), o Dr. Vetorazzo dedica-se ao tratamento de doenças prostáticas com foco em técnicas minimamente invasivas que preservam qualidade de vida dos pacientes.
Com experiência internacional e formação sólida pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o Dr. Vetorazzo combina conhecimento técnico avançado com abordagem humanizada no cuidado de cada paciente.
Formação Acadêmica e especializações
- Graduação: Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
- Residência Médica: Cirurgia Geral e Urologia pela Santa Casa de São Paulo;
- Fellowship: Uro-Oncologia e Cirurgia Minimamente Invasiva no Hospital Clínic da Universidade de Barcelona, Espanha;
- Certificação: Cirurgia Robótica pelo Intuitive Surgical – Da Vinci Surgical System.
Áreas de Atuação
- Urologia Geral: tratamento de condições como hiperplasia prostática benigna (HPB) e cálculos renais.
- Uro-Oncologia: abordagem clínica e cirúrgica de cânceres urológicos, incluindo próstata, rim e bexiga.
- Cirurgia robótica: especialista em procedimentos minimamente invasivos utilizando tecnologia robótica, proporcionando benefícios como menor tempo de recuperação e precisão cirúrgica.
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Perguntas frequentes sobre Gleason no câncer de próstata
O Gleason 7 indica câncer de próstata de risco intermediário. É fundamental distinguir entre Gleason 7 (3+4) e Gleason 7 (4+3). O primeiro é classificado como risco intermediário favorável, com padrão 3 predominante e excelente prognóstico. O segundo é risco intermediário desfavorável, com padrão 4 predominante e comportamento mais agressivo. Pacientes com Gleason 7 geralmente são candidatos a tratamento definitivo como cirurgia robótica ou radioterapia.
Não necessariamente. O Gleason 6 (3+3) representa câncer de próstata de baixo risco com crescimento muito lento. Pesquisas mostram que praticamente nenhum Gleason 6 puro desenvolve metástases quando confinado à próstata. Por isso, muitos pacientes são excelentes candidatos à vigilância ativa, que consiste em monitoramento rigoroso com PSA a cada 3-6 meses, toque retal anual e biópsias periódicas.
A escala de Gleason varia de 6 a 10, enquanto o sistema ISUP simplifica a classificação em grupos de 1 a 5. A equivalência é: Grupo 1 = Gleason 6;
Grupo 2 = Gleason 3+4=7;
Grupo 3 = Gleason 4+3=7;
Grupo 4 = Gleason 8;
Grupo 5 = Gleason 9-10.
O sistema ISUP foi criado para reduzir a confusão dos pacientes. Ambos os sistemas são válidos e frequentemente aparecem juntos no laudo de biópsia.
Sim, o Gleason 8 tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente e tratado adequadamente. Embora seja considerado câncer de próstata de alto grau com comportamento mais agressivo, tratamentos modernos como cirurgia robótica, radioterapia com hormonioterapia ou combinação de modalidades oferecem excelentes resultados. A chave é iniciar tratamento definitivo rapidamente.
Sim, o Gleason pode mudar por dois motivos principais. Primeiro, o câncer de próstatapode evoluir biologicamente, com células se tornando progressivamente menos diferenciadas. Segundo, a biópsia inicial pode não ter capturado a área mais agressiva do tumor. Estudos mostram que 20-30% dos pacientes apresentam Gleason mais alto na peça cirúrgica final comparado à biópsia.





