Conteúdo revisado pelo Dr. José Vetorazzo, urologista em São Paulo, com foco em uro-oncologia, cirurgia robótica e procedimentos minimamente invasivos
As terapias focais para câncer de próstata representam uma alternativa minimamente invasiva que trata apenas a área afetada pela doença, preservando tecidos saudáveis e reduzindo significativamente os efeitos colaterais tradicionais.
O diagnóstico de câncer de próstata mobiliza uma série de decisões complexas sobre tratamento.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 71.730 novos casos anuais no Brasil para o triênio 2023-2025, representando o segundo tumor mais incidente entre homens.
Diante desse cenário, as terapias focais para o câncer de próstata surgem como alternativa promissora para casos selecionados.
Diferentemente dos tratamentos radicais que abordam toda a glândula prostática, as terapias focais concentram-se exclusivamente na região onde o tumor está localizado.
Essa abordagem minimamente invasiva busca equilibrar controle oncológico com preservação de qualidade de vida, especialmente das funções urinária e sexual.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reconhece que novos métodos como eletroporação irreversível, braquiterapia focal e terapia fotodinâmica têm se desenvolvido em protocolos tanto para tumores primários quanto para casos de resgate após radioterapia.
Porém, a tecnologia ainda aguarda regulamentação completa pelo Conselho Federal de Medicina no Brasil.

O que são terapias focais para o tratamento do câncer de próstata?
As terapias focais para o câncer de próstata representam um conceito intermediário entre vigilância ativa e tratamentos radicais como cirurgia ou radioterapia.
O princípio fundamental consiste em tratar apenas a lesão cancerígena identificada, poupando o restante da próstata saudável.
A American Cancer Society explica que terapias ablativas podem tratar toda a glândula prostática ou apenas a parte onde o câncer está localizado, sendo esta última conhecida como terapia focal.
A principal vantagem está na redução significativa de efeitos colaterais quando comparada a tratamentos que afetam toda a próstata.
Diferença entre tratamento focal e radical
Nos tratamentos radicais, toda a próstata é removida cirurgicamente ou irradiada completamente.
Já nas terapias focais, apenas a região tumoral recebe o tratamento ablativo, preservando estruturas importantes como o esfíncter urinário e os nervos responsáveis pela ereção.
Essa distinção é fundamental para o planejamento terapêutico. A escolha entre abordagem focal ou radical depende de critérios rigorosos de seleção, incluindo localização tumoral, volume da doença e características do paciente.
Principais tipos de terapias focais disponíveis
Diversas tecnologias estão disponíveis para realizar ablação focal prostática. Cada modalidade utiliza diferentes formas de energia para destruir o tecido tumoral com precisão milimétrica.
HIFU – Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade
O HIFU utiliza ondas de ultrassom focalizadas para aquecer e destruir células cancerígenas através de termoablação.
O equipamento HIFU-FocalOne disponibiliza imagens em tempo real para avaliação dinâmica durante o tratamento.
Por meio de controle robótico, o equipamento foca energia em pontos específicos, emitindo ondas que destroem células cancerígenas com índice de controle oncológico superior a 85% em uma única sessão.
Por tratar apenas a área prostática acometida, diminui drasticamente efeitos colaterais como impotência sexual e incontinência urinária.
O procedimento não utiliza radiação ionizante, permitindo que seja repetido se necessário sem aumento drástico de morbidade.
Essa característica representa vantagem significativa sobre radioterapia, que apresenta restrições para reaplicação.
Crioterapia focal
A crioterapia utiliza temperaturas extremamente baixas para congelar e destruir o tecido prostático cancerígeno.
Sondas finas são inseridas através do períneo até a região tumoral, formando uma “bola de gelo” controlada que destrói as células malignas.
A American Cancer Society reconhece a crioterapia como opção para casos selecionados, especialmente após falha de radioterapia ou como tratamento primário em pacientes que não desejam cirurgia mas consideram vigilância ativa insuficiente.
Eletroporação Irreversível (IRE)
A eletroporação irreversível representa tecnologia não-térmica que utiliza pulsos de corrente elétrica para criar poros permanentes nas membranas celulares, levando à morte das células tumorais. O sistema NanoKnife é o equipamento mais conhecido para esta técnica.
O Memorial Sloan Kettering Cancer Center lidera pesquisas com eletroporação irreversível, demonstrando que a tecnologia é segura e eficaz para destruir células cancerígenas prostáticas.
A vantagem dessa modalidade está na preservação de estruturas sensíveis ao calor, como nervos e vasos sanguíneos.
Quem pode se beneficiar das terapias focais no câncer de próstata?
A seleção criteriosa de pacientes é fundamental para o sucesso das terapias focais no câncer de próstata, porque nem todos os casos são elegíveis para essa abordagem.
Critérios de indicação
As diretrizes da American Urological Association (AUA) consideram terapia focal em pacientes selecionados com câncer de próstata de risco intermediário, com ênfase na priorização de ensaios clínicos.
Para casos de baixo risco, a vigilância ativa continua sendo a recomendação preferencial.
Idealmente, os candidatos apresentam tumor localizado em um lobo prostático, identificado por meio de ressonância multiparamétrica de qualidade e confirmado por biópsia guiada por fusão de imagens.
A lesão não deve estar próxima à uretra ou ao reto, estruturas cuja proximidade aumenta riscos de complicações.
Avaliação por ressonância e biópsia
A ressonância magnética multiparamétrica tornou-se ferramenta essencial para o planejamento de terapias focais. O exame permite identificar lesões suspeitas, avaliar extensão tumoral e planejar precisamente a área de ablação.
A biópsia de fusão, que combina imagens de ressonância com ultrassom em tempo real, aumenta significativamente a acurácia diagnóstica. Esse mapeamento detalhado é crucial para determinar se o paciente apresenta doença unifocal verdadeira ou múltiplos focos tumorais.
Vantagens e limitações das terapias focais
Como qualquer modalidade terapêutica, as terapias focais apresentam benefícios potenciais e limitações que devem ser cuidadosamente considerados.
Benefícios potenciais
A preservação da função urinária e sexual representa a principal vantagem das terapias focais.
Estudos demonstram taxas significativamente menores de incontinência urinária e disfunção erétil quando comparadas a tratamentos radicais.
A recuperação pós-procedimento é geralmente rápida, com muitos pacientes retornando às atividades normais em poucos dias.
Procedimentos ambulatoriais ou com internação mínima reduzem impacto sobre rotina diária e custos associados ao tratamento.
Outra vantagem importante é a possibilidade de reaplicação do tratamento focal ou realização de terapia radical caso necessário. As terapias focais não comprometem futuras opções terapêuticas.
Limitações e necessidade de acompanhamento rigoroso
A principal limitação das terapias focais reside na ausência de dados de longo prazo comparáveis aos tratamentos estabelecidos.
A American Cancer Society ressalta que ainda não está claro se tratamentos focais funcionam tão bem quanto cirurgia ou radioterapia a longo prazo.
Pacientes submetidos a terapias focais necessitam seguimento rigoroso, incluindo dosagens seriadas de PSA, ressonâncias magnéticas periódicas e biópsias de controle. Existe risco de recorrência tanto na área tratada quanto em regiões não tratadas da próstata.
Aproximadamente um terço dos pacientes pode necessitar tratamento adicional dentro de 10 anos. Essa possibilidade deve ser claramente discutida durante o processo de decisão compartilhada.

Terapias focais versus cirurgia robótica
A comparação entre terapias focais e cirurgia robótica demanda análise criteriosa de diversos fatores, incluindo características tumorais, perfil do paciente e expectativas individuais.
Controle oncológico
A cirurgia robótica oferece dados consolidados de controle oncológico a longo prazo, com taxas de cura próximas a 90% para tumores localizados diagnosticados precocemente.
As terapias focais, por serem mais recentes, ainda carecem de evidências de seguimento prolongado.
Estudos prospectivos recentes comparando prostatectomia radical com terapia focal demonstraram taxas de sobrevida livre de falha de tratamento semelhantes em acompanhamento de oito anos.
No entanto, especialistas alertam para a necessidade de mais pesquisas com seguimento estendido.
Preservação funcional
As terapias focais apresentam vantagem clara na preservação de funções urinárias e sexuais.
A cirurgia robótica, mesmo com técnicas de preservação nervosa, inevitavelmente causa trauma aos tecidos adjacentes durante a remoção completa da próstata.
No entanto, a cirurgia robótica remove completamente a próstata, eliminando a possibilidade de novos focos tumorais no órgão. Pacientes devem compreender esse trade-off entre preservação funcional e extensão do tratamento oncológico.
Como escolher o tratamento mais adequado?
A decisão terapêutica no câncer de próstata deve ser individualizada, considerando múltiplos fatores clínicos e pessoais.
Importância da avaliação individualizada
Cada paciente apresenta características únicas que influenciam a escolha terapêutica:
- Idade;
- Comorbidades;
- Função sexual e urinária basal;
- Ansiedade em relação à doença;
- Expectativas quanto ao tratamento.
- Grau de agressividade da doença no momento do diagnóstico
Homens mais jovens, com expectativa de vida superior a 15-20 anos, podem se beneficiar mais de tratamentos com dados consolidados de longo prazo. Pacientes com comorbidades significativas podem preferir abordagens menos invasivas.
Papel da experiência médica
A experiência do urologista em diferentes modalidades terapêuticas é fundamental para discussão equilibrada de opções.
Profissionais com formação específica em terapias focais podem oferecer essa alternativa quando apropriado, sempre dentro de protocolos estabelecidos.
A decisão compartilhada entre médico e paciente, após discussão detalhada de riscos e benefícios, representa o melhor caminho.
Cenário atual das terapias focais no Brasil
No contexto brasileiro, as terapias focais para câncer de próstata encontram-se em momento de transição regulatória.
A SBU montou grupo de trabalho a pedido do Conselho Federal de Medicina para determinar diretrizes atuais da terapia focal no país, aguardando parecer final do órgão regulador.
Enquanto a regulamentação avança, centros especializados oferecem essas tecnologias dentro de protocolos de pesquisa ou como opções terapêuticas em casos selecionados.
A discussão transparente sobre o status investigacional dessas terapias é fundamental na relação médico-paciente.
O crescimento do interesse em terapias focais reflete mudança global na abordagem do câncer de próstata, buscando tratamentos personalizados que equilibrem eficácia oncológica com preservação de qualidade de vida.
Agende uma avaliação especializada sobre terapias focais
A escolha do tratamento mais adequado para câncer de próstata exige avaliação detalhada com urologista especializado em uro-oncologia.
Dr. José Vetorazzo, com formação específica em cirurgia robótica e tratamentos minimamente invasivos, oferece consulta individualizada para discussão de todas as opções terapêuticas disponíveis.
O consultório está localizado no Itaim Bibi, São Paulo, oferecendo atendimento personalizado com base nas mais recentes evidências científicas e protocolos internacionais.
Entre em contato para agendar sua consulta e esclarecer todas as suas dúvidas sobre tratamentos modernos para câncer de próstata.

Formação Acadêmica e especializações
- Graduação: Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
- Residência Médica: Cirurgia Geral e Urologia pela Santa Casa de São Paulo;
- Fellowship: Uro-Oncologia e Cirurgia Minimamente Invasiva no Hospital Clínic da Universidade de Barcelona, Espanha;
- Certificação: Cirurgia Robótica pelo Intuitive Surgical – Da Vinci Surgical System.
Áreas de Atuação
- Urologia Geral: tratamento de condições como hiperplasia prostática benigna (HPB) e cálculos renais.
- Uro-Oncologia: abordagem clínica e cirúrgica de cânceres urológicos, incluindo próstata, rim e bexiga.
- Cirurgia robótica: especialista em procedimentos minimamente invasivos utilizando tecnologia robótica, proporcionando benefícios como menor tempo de recuperação e precisão cirúrgica.
Perguntas Frequentes sobre Terapias Focais para Câncer de Próstata
Não. As terapias focais são indicadas principalmente para tumores localizados, de baixo risco ou risco intermediário favorável, identificados claramente por ressonância multiparamétrica e confirmados por biópsia. Tumores multifocais, de alto risco ou com extensão extracapsular geralmente requerem tratamentos mais abrangentes.
Não. Como parte da próstata permanece intacta após terapia focal, níveis detectáveis de PSA persistem no sangue. O acompanhamento utiliza tendência dos valores de PSA ao longo do tempo, associada a exames de imagem e biópsias periódicas quando indicado.
Sim. Uma das vantagens das terapias focais é que elas não impedem tratamentos subsequentes. Pacientes podem ser submetidos a nova sessão de terapia focal, cirurgia robótica ou radioterapia caso necessário, embora procedimentos de resgate possam apresentar maior complexidade técnica.
A maioria das terapias focais é realizada em procedimento ambulatorial ou com internação de um dia, sob anestesia geral ou raquianestesia. A duração varia entre 1 a 3 horas dependendo da técnica. A recuperação é geralmente rápida, com retorno às atividades normais em poucos dias a uma semana.
A cobertura varia conforme operadora e contrato específico. Como algumas tecnologias ainda aguardam regulamentação completa no Brasil, é fundamental verificar previamente com o convênio sobre cobertura, autorizações necessárias e possíveis custos adicionais.





