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Pós-operatório da HoLEP: recuperação, sonda e retorno à rotina

Dr. José Vetorazzo realizando procedimento HoLEP para tratamento de próstata aumentada com laser de hólmio.

Conteúdo revisado pelo Dr. José Vetorazzo, urologista especialista em cirurgia robótica e tratamentos a laser para próstata aumentada.

O pós-operatório HoLEP costuma trazer alta rápida e menos dor, mas a recuperação completa segue etapas que variam de paciente para paciente.

Se você vai fazer ou já fez a cirurgia de HoLEP, é natural ter dúvidas sobre o pós-operatório HoLEP

Em linhas gerais, muitos pacientes recebem alta em torno de 24 horas, permanecem com sonda apenas durante a estadia no hospital, retomam atividades leves em aproximadamente 7 dias e voltam de forma mais completa à rotina entre 15 e 20 dias.

Esses números são referências, não promessas. Cada organismo responde de um jeito e é isso que vamos explicar em detalhes ao longo deste conteúdo.

A HoLEP (Enucleação Prostática a Laser com Hólmio) é hoje uma das técnicas mais avançadas para tratar a hiperplasia prostática benigna. Ela se destaca por ser pouco invasiva e permitir uma recuperação mais tranquila do que cirurgias tradicionais.

Ainda assim, “recuperação rápida” não significa “recuperação idêntica para todos”, por isso entender as etapas desse processo ajuda o paciente a se preparar com realismo e a identificar, com segurança, o que é esperado e o que merece atenção da equipe médica.

Como começa o pós-operatório da HoLEP?

Logo após a cirurgia, a equipe encaminha o paciente para um período de observação, ainda no centro cirúrgico ou na recuperação anestésica.

Nessa fase, a equipe acompanha:

  • A recuperação da anestesia;
  • O aspecto da urina, com irrigação vesical contínua com Soro fisiológico 0,9%;
  • O controle de eventuais desconfortos, como dor leve ou sensação de urgência;
  • A presença da sonda vesical, usada para lavagem da bexiga e drenagem da urina;
  • A capacidade de o paciente urinar de forma espontânea depois que a equipe retira a sonda.

A definição da alta hospitalar depende dessa evolução. Não existe um horário fixo aplicável a todos os pacientes, mas em geral os pacientes recebem alta hospitalar  em média entre 12 horas e 24 horas após a cirurgia. 

Quanto tempo o paciente fica internado depois da HoLEP?

Muitos pacientes permanecem internados por aproximadamente 12 horas a 24 horas, mas esse prazo varia.

Alguns casos selecionados recebem alta ainda no mesmo dia. Outros, por características clínicas específicas, precisam de mais tempo de observação.

A decisão considera fatores como:

  • A recuperação da anestesia;
  • O aspecto da urina;
  • A capacidade de urinar sem a sonda;
  • A avaliação geral da equipe médica.

É importante entender essa possibilidade de alta rápida como resultado de critérios clínicos e acompanhamento cuidadoso.

Por quanto tempo é necessário usar sonda depois da HoLEP?

A sonda vesical faz parte do pós-operatório de todos os pacientes submetidos à HoLEP. O período de uso costuma variar, mas a referência mais comum fica entre 1 e 2 dias. A grande maioria dos pacientes usa a sonda vesical de demora durante a estadia no hospital e recebe alta hospitalar já sem a sonda, após urinar. 

A maioria desses pacientes conseguem retirar a sonda vesical antes da alta hospitalar. Outros, especialmente quando há retenção urinária prévia, próstata muito volumosa ou algum sangramento mais evidente, podem precisar de um prazo maior.

Cronologia da recuperação da HoLEP: o que pode acontecer em cada etapa?

Esta é a parte mais importante para quem quer entender a jornada completa do pós-operatório da cirurgia HoLEP.

Os períodos a seguir são referências gerais. A recuperação real varia conforme o perfil do paciente, o tamanho da próstata, o quadro urinário anterior e a evolução clínica após a cirurgia.

Dia da cirurgia

Foco na recuperação da anestesia, alimentação, uso da sonda, acompanhamento da urina e hidratação conforme orientação médica. A equipe avalia dor, náusea e as condições gerais do paciente antes de planejar a alta.

Primeiras 24 a 48 horas

Momento em que, na maioria dos casos, avalia-se a retirada da sonda e testa-se a capacidade de urinar espontaneamente. O paciente pode apresentar sangue na urina e desconfortos transitórios nessa fase, algo esperado dentro do processo de cicatrização.

Primeira semana

Repouso relativo, caminhadas leves e cuidado para evitar esforço físico marcam esses dias. 

É comum sentir alguma ardência, urgência miccional e aumento da frequência urinária.

Esses sintomas tendem a diminuir progressivamente, ainda que o jato urinário já possa parecer melhor antes da estabilização completa.

Entre a segunda e a terceira semanas

O retorno às atividades acontece de forma gradual, com redução progressiva dos desconfortos e melhora do padrão urinário. 

É o período em que muitos pacientes retomam o trabalho, dependendo da atividade profissional exercida, e as suas atividades físicas (Musculação, por exemplo).

O paciente costuma consolidar o retorno à rotina após a HoLEP em torno de 15 a 20 dias, mas esse prazo deve ser entendido como estimativa individualizada, não como regra fixa.

Após as primeiras semanas

A micção se estabiliza de forma progressiva. O controle urinário é acompanhado ao longo do tempo, e o retorno aos exercícios e à vida sexual acontece de maneira gradual. 

Portanto, a continuidade do seguimento com o urologista é o que garante segurança nessa fase.

Cuidados após a cirurgia Holep
No pós-operatório Holep, o Dr. José Vetorazzo recomenda:
Evitar esforços físicos intensos por cerca de 30 dias, como musculação ou levantamento de peso;
Manter abstinência sexual por 30 dias para reduzir o risco de sangramento;
Monitorar sintomas como febre, sangramento intenso ou dificuldade para urinar, e relatar imediatamente ao urologista;
Comparecer às consultas de acompanhamento entre 1 e 3 meses para avaliar o fluxo urinário e o PSA.

Para complementar essa explicação, o Dr. José Vetorazzo detalha em vídeo como costuma conduzir essa fase na prática:

É normal ter sangue na urina depois da HoLEP?

Sim. Alguma alteração na cor da urina pode ocorrer no pós-operatório e costuma fazer parte do processo de cicatrização.

A intensidade e a duração variam de paciente para paciente. Esforços físicos podem influenciar a percepção do sangramento nos dias seguintes à cirurgia.

Ainda assim, sinais de alerta não devem ser interpretados sem orientação profissional.

  • Quando entrar em contato com a equipe? Procure seu urologista imediatamente se notar aumento importante do sangramento, presença de coágulos, dificuldade ou incapacidade de urinar, febre, dor intensa ou qualquer problema no funcionamento da sonda.

Ardência, urgência e vontade frequente de urinar podem acontecer?

Sim. O canal urinário e a bexiga passam por um período de adaptação após a retirada do tecido prostático obstrutivo.

Podem fazer parte dessa fase:

  • Ardência;
  • Urgência urinária;
  • Aumento da frequência;
  • Necessidade de urinar à noite;
  • Pequenos escapes.

Isso não representa, necessariamente, uma infecção. A diferenciação entre sintoma esperado e sinal de alerta depende sempre de avaliação médica.

Quando o jato urinário melhora após a HoLEP?

A melhora do jato urinário costuma ser um dos ganhos mais celebrados pelos pacientes.

Alguns percebem melhora já nos primeiros dias. Outros apresentam uma evolução mais progressiva, à medida que a bexiga se adapta ao novo funcionamento do canal urinário.

Retenção urinária antiga, uso prolongado de sonda antes da cirurgia e o funcionamento prévio da bexiga são fatores que podem influenciar esse tempo. Por isso, o resultado não deve ser avaliado apenas pelos primeiros dias de recuperação.

Pode ocorrer perda temporária de urina depois da HoLEP?

Pequenos escapes podem acontecer durante a recuperação por inflamação da bexiga e próstata logo após a cirurgia, principalmente nas primeiras semanas. Isso não significa, automaticamente, incontinência permanente.

A cronologia costuma seguir um padrão: nos primeiros 30 dias, alguns pacientes apresentam escapes ligados a esforço físico ou à irritação do processo inflamatório da cicatrização. 

No terceiro mês, esse percentual já cai de forma significativa. Aos seis meses, cerca de 98% dos pacientes apresentam bom controle urinário, e o risco de incontinência permanente fica em torno de 1%, de acordo com o Dr. Vetorazzo no vídeo acima.

Idade, volume prostático, retenção urinária anterior e características do procedimento podem influenciar o tempo necessário para a recuperação total da continência.

Em muitos casos, exercícios ou orientações específicas de fisioterapia pélvica podem ser indicados de forma individualizada. Veja mais em: 

Tratamento da hiperplasia prostática: 4 opções modernas

Quando é possível voltar a trabalhar depois da HoLEP?

Isso depende do tipo de trabalho, do esforço físico exigido, da evolução da urina, da presença ou não de sonda e da orientação médica individual.

  • Trabalho administrativo ou remoto: pode permitir um retorno mais precoce, conforme a evolução e a autorização médica.
  • Trabalho com esforço físico: costuma exigir um intervalo maior e liberação específica da equipe.

Não existe um prazo universal válido para todos os perfis profissionais.

Quando é possível dirigir, fazer exercícios e levantar peso?

1. Dirigir

Depende da ausência de sonda, do conforto para realizar movimentos e da autorização médica. Grande parte dos pacientes podem retornar a dirigir 7 dias após a cirurgia. 

2. Caminhadas e atividades leves

Costumam ser liberadas desde a alta hospitalar já que as caminhadas leves são fundamentais para uma boa recuperação do paciente, prevenção de trombose nas pernas e auxílio do funcionamento intestinal. Esses prazos como sempre dependem da evolução de cada paciente.

3. Musculação, corrida e levantamento de peso

Devem ser retomados de forma gradual e sempre com orientação individual. Não existe uma data única aplicável a todos.

Quando é possível retomar a vida sexual depois da HoLEP?

O retorno da vida sexual depende da recuperação geral e da orientação do urologista.

É importante entender que ereção, orgasmo e ejaculação são funções distintas: a HoLEP pode provocar ejaculação retrógrada (redução do volume ejaculado), um efeito que deve ser explicado antes da cirurgia.

Na grande maioria dos pacientes, a ereção é mantida, diferente do que ocorre na cirurgia para câncer de próstata, onde o impacto erétil é mais frequente. Já a ejaculação pode ser alterada com mais frequência, apresentando redução no volume do líquido ejaculado após a HoLEP.

Ainda assim, o Dr. Vetorazzo observa que apenas uma parte menor dos pacientes relata incômodo real com essa mudança. 

Segundo ele, esse incômodo aparece principalmente entre quem já tinha dificuldades eréteis antes da cirurgia, pacientes que chegam com boas ereções e as mantêm depois, em geral, não se importam com a alteração na ejaculação. No entanto, a alteração ejaculatória não é uma particularidade da HoLEP. 

Técnicas como cirurgia com green laser, RTU de próstata e cirurgia robótica de retirada do tecido prostático também apresentam taxas altas de impacto na ejaculação, é um efeito característico desse tipo de procedimento.

Tirinha de ebook para tratamentos do câncer de próstata

Por que a recuperação varia entre os pacientes?

A recuperação depois da HoLEP pode ser influenciada por diversos fatores, entre eles:

  • Idade;
  • Volume da próstata;
  • Intensidade da obstrução antes da cirurgia;
  • Uso prévio de sonda;
  • Histórico de retenção urinária;
  • Resíduo de urina na bexiga;
  • Funcionamento anterior da bexiga;
  • Uso de anticoagulantes;
  • Outras condições clínicas;
  • Quantidade de tecido prostático removido;
  • Evolução durante e depois do procedimento.

Duas pessoas submetidas exatamente à mesma técnica podem ter cronologias de recuperação diferentes e isso não indica, por si só, que algo deu errado.

Vale destacar, para efeito de comparação, que técnicas como a RTU (Ressecção Transuretral da Próstata) tendem a apresentar taxas de retratamento mais altas em 5 a 10 anos. 

Enquanto a HoLEP, por remover de forma mais completa o tecido obstrutivo, está associada a taxas de recidiva inferiores a 1% ao ano, segundo dados citados pela Sociedade Europeia de Urologia. 

Isso não elimina a variação individual na recuperação, mas ajuda a contextualizar por que a técnica é considerada, na maioria dos casos, definitiva.

Experiência clínica: próstata de 80g e alta 24 horas após a HoLEP

Um caso ilustrativo acompanhado pelo Dr. José Vetorazzo ajuda a entender esse raciocínio na prática: um paciente com próstata de aproximadamente 80 gramas recebeu alta hospitalar para continuar a recuperação em casa cerca de 24 horas depois da cirurgia HoLEP.

O que torna esse resultado possível são os critérios observados antes da alta: a excelente recuperação da anestesia, o aspecto da urina, a capacidade de urinar de forma espontânea sem a sonda e a ausência de sinais de alerta.

Próstatas maiores, como essa, tradicionalmente eram associadas a técnicas mais invasivas. Mas a HoLEP não tem limitação relevante quanto ao volume prostático, o que amplia as possibilidades de tratamento mesmo em casos mais complexos.

Sobre esse ponto, o próprio Dr. José Vetorazzo explica no vídeo abaixo os critérios que costuma utilizar para indicar a cirurgia e conduzir esse tipo de alta:

Como o acompanhamento médico influencia a recuperação?

O acompanhamento com o urologista é o que transforma uma recuperação genérica em um processo seguro e individualizado.

Esse atendimento ativo inclui:

  • Orientações personalizadas;
  • Avaliação do momento ideal para retirada da sonda;
  • Monitoramento da micção;
  • Revisão de medicamentos;
  • Análise dos sintomas relatados;
  • Consultas de retorno programadas;
  • Contato direto com a equipe caso surjam intercorrências.

Não existe protocolo único que sirva para todos os pacientes da mesma forma.

O que perguntar ao urologista antes da cirurgia sobre o pós-operatório?

Levar essas perguntas para a consulta pode ajudar a chegar mais preparado:

  • Quanto tempo eu provavelmente ficarei internado?
  • Existe a possibilidade de eu ter alta usando sonda?
  • Quando a sonda costuma ser retirada no meu perfil clínico?
  • Quando poderei dirigir?
  • Quando poderei voltar ao trabalho?
  • Quando poderei voltar aos exercícios?
  • Quais sintomas são esperados no meu caso?
  • Em quais situações devo entrar em contato com a equipe?
  • A HoLEP pode alterar minha ejaculação?
  • Meu histórico de retenção urinária ou uso de sonda pode mudar minha recuperação?

Vai realizar HoLEP e quer entender como será sua recuperação?

O período após a cirurgia é tão importante quanto a própria técnica escolhida. É nele que se define o momento certo de retirar a sonda, se identificam sinais que precisam de atenção e se ajusta o ritmo de retorno às atividades, sempre de acordo com a evolução real de cada paciente.

O Dr. José Vetorazzo acumula mais de uma década de experiência em urologia, cirurgia robótica e tratamentos minimamente invasivos, com formação específica em HoLEP e certificação internacional em cirurgia robótica pela Intuitive Surgical.

Essa experiência prática é o que permite avaliar, caso a caso, quando a alta pode ser antecipada com segurança e quando é preciso um acompanhamento mais próximo.

Sua abordagem é individualizada: cada paciente recebe orientações claras sobre sonda, sintomas esperados, sinais de alerta e retorno gradual às atividades, incluindo o tema da vida sexual, que costuma gerar mais dúvidas. 

O objetivo é que o paciente saiba exatamente o que esperar em cada etapa, sem promessas genéricas e sem insegurança.

Vai realizar a HoLEP ou já passou pela cirurgia e quer saber se sua recuperação está dentro do esperado? Agende avaliação com o Dr. José Vetorazzo.

Formação acadêmica e especializações

  • Graduação: Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo;
  • Residência Médica: Cirurgia Geral e Urologia pela Santa Casa de São Paulo;
  • Fellowship: Uro-Oncologia e Cirurgia Minimamente Invasiva no Hospital Clínic da Universidade de Barcelona, Espanha;
  • Certificação: Cirurgia Robótica pelo Intuitive Surgical – Da Vinci Surgical System.

Áreas de Atuação

  • Cirurgia robótica: especialista em procedimentos minimamente invasivos utilizando tecnologia robótica, proporcionando benefícios como menor tempo de recuperação e precisão cirúrgica.
  • Urologia Geral: tratamento de condições como hiperplasia prostática benigna (HPB) e cálculos renais.
  • Uro-Oncologia: abordagem clínica e cirúrgica de cânceres urológicos, incluindo próstata, rim e bexiga.

FAQ – Perguntas frequentes sobre o pós-operatório da HoLEP

1. Quantos dias o paciente fica internado depois da HoLEP?

Em geral, entre 12 e 36 horas, com muitos casos girando em torno de 24 horas de internação.

2. Quanto tempo fica com sonda depois da cirurgia HoLEP?

A referência mais comum é de 1 a 2 dias, podendo ser menor ou maior conforme a evolução clínica.

3. Quanto tempo dura a recuperação da HoLEP?

A recuperação inicial costuma ser rápida, mas o retorno mais completo à rotina normalmente ocorre entre 15 e 20 dias, podendo variar conforme o perfil clínico de cada paciente.

4. É normal ter sangue na urina após a HoLEP?

Sim, alguma alteração na cor da urina é esperada durante a cicatrização, mas sangramento intenso ou com coágulos deve ser informado imediatamente à equipe.

5. Pode ocorrer incontinência temporária depois da HoLEP?

Sim. Embora a grande maioria dos pacientes não apresentem nenhum escape de urina após a retirada da sonda vesical após a cirurgia, escapes podem ocorrer nos primeiros 30 dias.
 Para pacientes que apresentam algum escape, geralmente associado a inflamação na próstata e bexiga,  o controle total da urina aumenta bastante de forma progressiva de tal forma que aos seis meses, cerca de 98% dos pacientes já têm excelente controle urinário, sendo o risco de incontinência permanente de aproximadamente 1%.

6. A HoLEP altera a ejaculação?

Pode causar ejaculação retrógrada (redução do volume ejaculado) em até 80% dos pacientes, mas a ereção costuma ser mantida na maioria dos casos.

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