Conteúdo revisado pelo Dr. José Vetorazzo, urologista em São Paulo, especialista em cirurgia robótica e uro-oncologia, com certificação internacional pelo Intuitive Surgical (sistema Da Vinci) e fellowship em cirurgia minimamente invasiva no Hospital Clínic da Universidade de Barcelona, Espanha.
Gleason 6 é câncer de próstata — e entender o que esse número significa pode fazer toda a diferença na decisão do tratamento certo
Receber um laudo de biópsia com a expressão “adenocarcinoma de próstata Gleason 6” pode parecer, à primeira vista, uma sentença.
A palavra câncer assusta. Mas, nesse caso específico, o contexto clínico muda completamente a forma como o resultado deve ser interpretado.
O Gleason 6 é câncer de próstata — isso é um fato. No entanto, é o grau mais baixo reconhecido dentro da escala atual, o que significa crescimento muito lento, baixíssima chance de disseminação e, na grande maioria dos casos, excelente prognóstico.
Portanto, o objetivo deste artigo é esclarecer, com base em evidências e na visão do Dr. José Vetorazzo — urologista especialista em doenças da próstata em São Paulo — o que de fato significa esse diagnóstico, quando o tratamento é necessário e por que a decisão não precisa ser tomada com pressa.

O que é o Gleason 6 e por que ele é classificado assim?
Segundo o Dr. José Vetorazzo, a escala de Gleason avalia o grau de diferenciação das células tumorais observadas na biópsia da próstata. “Quanto mais diferentes das células normais, mais agressivo tende a ser o tumor.”
No caso do Gleason 6 — tecnicamente escrito como 3+3 —, os dois padrões celulares predominantes são classificados com grau 3, o menos alterado possível dentro do que se reconhece como câncer. A soma resulta em 6, o menor valor da escala atual (que vai de 6 a 10).
“O subtipo 6 é o menos agressivo, e quando falamos em menos agressivo, estamos falando de tumores que têm uma menor velocidade de crescimento e com menor risco de se espalharem para outros órgãos (metástase)”.
Essa mesma classificação foi revisada pela Sociedade Internacional de Patologia Urológica (ISUP) e passou a ser chamada de Grupo ISUP 1.
Dessa forma, o sistema mais moderno — que vai do Grupo 1 ao Grupo 5 — posiciona esse tumor no degrau inicial de menor risco.
Confira mais detalhes sobre como o grau influencia o tratamento em nosso artigo sobre Gleason no câncer de próstata.
Segundo as diretrizes publicadas conjuntamente pela American Urological Association (AUA) e pela American Society for Radiation Oncology (ASTRO) em 2022, o Gleason 6 é classificado como doença de baixo risco quando associado a PSA abaixo de 10 ng/mL e estadiamento clínico igual ou inferior a T2a.
Gleason 6 tem cura?
A resposta direta é sim: o Gleason 6 tem cura na grande maioria dos casos. Mais do que isso — quando diagnosticado precocemente e dentro de critérios favoráveis, nem sempre exige tratamento imediato.
Estudos de acompanhamento de longo prazo mostram que a mortalidade por câncer de próstata Gleason 6 puro é inferior a 1% em 15 anos, segundo o Canary Prostate Active Surveillance Study (PMC/PubMed, 2025), uma das maiores coortes de vigilância ativa publicadas, com mais de 2.100 pacientes acompanhados.
Além disso, o risco de metástase em pacientes com doença localizada é extremamente baixo quando não há características histológicas desfavoráveis na biópsia.
Portanto, quando a doença está localizada somente na próstata e os critérios clínicos são favoráveis, as chances de cura com tratamento adequado são altíssimas — frequentemente acima de 95%.
Gleason 6 é grave? Entenda o perfil de risco
De forma objetiva: o Gleason 6 não é grave quando comparado aos outros subtipos de câncer de próstata. Contudo, é uma doença que exige acompanhamento rigoroso.
A escala de Gleason — e o sistema ISUP que a complementa — existe justamente para comunicar isso de forma precisa.
Enquanto o câncer de próstata grau 8 já pertence ao grupo de alto risco, o Gleason 6 ocupa o extremo oposto: é o câncer de próstata de menor velocidade de crescimento e menor potencial de disseminação.
Para entender melhor esse espectro, vale comparar os principais graus:
- Gleason 6 (ISUP 1) — baixo risco. Crescimento lento, baixíssima chance de metástase.
- Câncer de próstata grau 7 (ISUP 2 ou 3) — risco intermediário. Requer avaliação individual cuidadosa.
- Câncer de próstata grau 9 e grau 10 (ISUP 4 e 5) — alto risco. Exigem tratamento imediato e abordagem agressiva.
Portanto, o Gleason 6 não se confunde com os tumores de alto risco — e essa distinção é fundamental para evitar tratamentos desnecessários e seus efeitos colaterais.

Gleason 6 precisa operar?
Não necessariamente. Essa é justamente uma das principais diferenças entre o Gleason 6 e os graus mais elevados de câncer de próstata.
Para pacientes com adenocarcinoma de próstata Gleason 6 que preenchem critérios rigorosos de baixo risco, as diretrizes internacionais da AUA (2022) e da European Association of Urology (EAU) indicam a vigilância ativa como conduta preferencial — e não a cirurgia ou radioterapia imediata.
A vigilância ativa consiste em um protocolo de acompanhamento estruturado com:
- PSA a cada 4 a 6 meses;
- Toque retal anual;
- Ressonância magnética da próstata;
- Repetição periódica da biópsia.
Esses exames permitem detectar qualquer sinal de progressão da doença antes que ela avance.
Como o próprio Dr. Vetorazzo explica em seus atendimentos:
“O objetivo da vigilância ativa é evitar tratar uma doença que provavelmente nunca causaria problema naquele paciente — sem perder o momento ideal de agir caso a doença progrida.”
Porém, é importante deixar claro: a vigilância ativa não é ausência de tratamento. É uma estratégia médica ativa, que demanda comprometimento do paciente com os exames periódicos.
No entanto, é praticamente certa que uma boa parte desses pacientes vão necessitar de algum tratamento em 10 anos.
Quando o tratamento definitivo é indicado no Gleason 6?
Mesmo em pacientes com Gleason 6 em vigilância ativa, alguns sinais indicam que é necessário partir para o tratamento definitivo. Os principais são:
- Progressão do grau na biópsia: quando uma nova biópsia mostra evolução para Gleason 7 ou superior (ISUP 2+), o risco aumenta e o tratamento é indicado. Esse é o motivo mais comum de mudança de conduta, ocorrendo em até 50% dos pacientes em vigilância ativa ao longo de 10 anos.
- Elevação rápida do PSA: uma duplicação do PSA em curto prazo pode indicar progressão da doença.
- Aumento do volume tumoral: quando a biópsia mostra mais fragmentos comprometidos do que no diagnóstico inicial.
- Ansiedade e preferência do paciente: em 8 a 10% dos casos, o desconforto emocional de viver com um diagnóstico de câncer leva à decisão conjunta pelo tratamento definitivo, mesmo sem progressão objetiva da doença.
Quando o tratamento é indicado, as opções disponíveis incluem cirurgia robótica, radioterapia e, em casos selecionados, terapias focais como HIFU, crioterapia ou eletroporação irreversível (NanoKnife).
A escolha depende das características individuais de cada paciente.

Limitações: quando a vigilância ativa não é a escolha certa?
Apesar do excelente prognóstico do Gleason 6, a vigilância ativa não é adequada para todos os pacientes com esse diagnóstico. Não é indicada quando:
- O PSA está acima de 10 ng/mL ou apresenta velocidade de crescimento elevada;
- A biópsia apresenta muitos fragmentos comprometidos (volume tumoral alto);
- A ressonância identifica lesão PI-RADS 4 ou 5 incompatível com o padrão esperado para Gleason 6 puro;
- Existem características histológicas desfavoráveis na biópsia, como padrão cribiforme ou carcinoma intraductal;
- O paciente não tem condições de realizar acompanhamento periódico ou não aceita psicologicamente a conduta expectante.
Esses critérios reforçam que a decisão deve sempre ser individualizada, com base em uma avaliação especializada completa — e não em comparações com casos de conhecidos ou informações genéricas encontradas na internet.
Conclusão: Gleason 6 não é uma sentença — mas exige avaliação especializada
O diagnóstico de adenocarcinoma de próstata Gleason 6 gera ansiedade. Porém, quando avaliado com critério e contexto clínico adequado, representa — na grande maioria dos casos — uma doença com excelente prognóstico e múltiplas opções de conduta segura.
O Dr. José Vetorazzo, urologista especializado em doenças da próstata em São Paulo, com atuação nos hospitais Albert Einstein, São Luiz, Sírio Libanês e Oswaldo Cruz, acompanha regularmente pacientes com câncer de próstata de todos os graus.
Sua abordagem combina avaliação oncológica rigorosa com atenção à qualidade de vida, definindo a melhor estratégia — seja vigilância ativa, cirurgia robótica com o sistema Da Vinci, ou outras terapias disponíveis — de forma completamente individualizada.
Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico de Gleason 6 e quer entender com clareza as opções disponíveis para o seu caso, procure o Dr. José Vetorazzo.
A informação certa e um especialista de confiança fazem toda a diferença na hora de decidir o próximo passo.

Perguntas frequentes sobre Gleason 6
Sim. O Gleason 6 é o menor grau de câncer de próstata reconhecido pela escala atual, com crescimento lento e baixíssimo risco de metástase. Quando diagnosticado com a doença localizada na próstata e sob acompanhamento adequado, as taxas de sucesso no tratamento são muito elevadas — em geral superiores a 95%. Em muitos casos, a vigilância ativa já é suficiente como estratégia inicial.
Não necessariamente. As diretrizes da AUA (2022) e da EAU indicam a vigilância ativa como conduta preferencial para pacientes com Gleason 6 de baixo risco que preenchem critérios específicos. A cirurgia robótica ou a radioterapia são reservadas para casos em que há progressão da doença detectada durante o acompanhamento, ou quando o paciente prefere o tratamento definitivo após discussão individualizada com o especialista.
O Gleason 6 (ISUP 1) é classificado como baixo risco: crescimento lento, confinado à próstata, baixíssima chance de metástase. O câncer de próstata grau 7 (ISUP 2 ou 3) já é considerado de risco intermediário e, em geral, exige tratamento definitivo — embora o subtipo 3+4 tenha prognóstico mais favorável do que o 4+3. A diferença de um ponto no escore representa uma mudança importante na estratégia de conduta.
Sim. Por isso a vigilância ativa exige acompanhamento rigoroso. Estudos mostram que entre 30% e 50% dos pacientes em vigilância ativa precisarão de tratamento definitivo em até 10 anos, principalmente por progressão do grau (detecção de Gleason 7 ou superior em nova biópsia). A realização correta dos exames periódicos é o que garante que essa progressão seja identificada no momento certo.
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